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“Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó”

CARTOLA
Considerado o “Trovador” do samba, Angenor de Oliveira, o Cartola, nasceu no dia 11 de outubro de 1908, no Bairro do Catete- Rio de Janeiro .Por erro de um escrivão, seu nome foi grafado Angenor.
Era o quarto filho - de um total de sete - do casal Sebastião Joaquim de Oliveira e Aída Gomes de Oliveira. Aos 8 anos de idade, já desfilava em blocos carnavalescos de rua. Aos 11, por problemas financeiros, foi morar com a família no morro de Mangueira, onde então começava a despontar uma pequena favela.
Começou a trabalhar muito cedo. Fez somente o primário e jamais conseguiu se integrar à estrutura de trabalho. Trabalhou sempre com bicos, como, pintor de paredes, lavador de carros, vigia de prédios e contínuo de repartição pública e pedreiro. Seu apelido “Cartola” surgiu do tempo em que era servente de obra. Para evitar que seu cabelo ficasse sujo de cimento, ele usava um chapéu de coco, e assim seus colegas não resistindo à gozação lhe deram o apelido.
Na Mangueira, conheceu Carlos Cachaça e outros bambas, e aos poucos foi se iniciando no mundo da malandragem e do samba. Na década de 20, quando os blocos de carnaval resolveram se organizar em sociedades permanentes, Ismael Silva e o pessoal do Estácio criaram, em 12 Agosto de 1928, uma associação que se autodenominava Escola de Samba, a “Deixa Falar”. Cartola, que havia criado com seus amigos do morro o Bloco dos Arengueiros, juntou o pessoal da Mangueira, escolheu o nome de Estação Primeira de Mangueira, adotou as cores verde-rosa e ainda compôs o samba enredo “Chega de Demanda”. Foi o primeiro título de campeã que a Estação Primeira de Mangueira ganhou. Nascia assim, em 30 de Abril de 1929, o maior fenômeno do carnaval carioca.
Os sambas criados por Cartola se popularizaram nos anos 30 em vozes ilustres como Francisco Alves, Mário Reis, Silvio Caldas e Carmen Miranda. Mas no início dos anos 40, Cartola desaparece do cenário. Pouco se sabe sobre essa época além de que brigou com os amigos da Mangueira e que ficou mal depois da morte de Deolinda, a mulher com quem vivia.
Cartola, nem sempre se relacionou bem com a Mangueira. Os motivos eram sempre os mesmos: divergências com os diretores da Escola, que em várias ocasiões teriam transformado a escola num reduto eleitoreiro.
No longo período de afastamento do cenário artístico, especulou-se até, que houvesse morrido. Cartola só foi reencontrado em 1956 pelo jornalista Sérgio Porto, trabalhando como lavador de carros. Porto tratou de promover a volta de Cartola, levando-o a programas de rádio e fazendo-o compor novos sambas para serem gravados.
Cartola teve duas paixões na vida: O Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, onde, durante os dez primeiros anos de fundação, foi o compositor oficial dos sambas enredo da escola, e Dona Zica, que o conheceu ainda na infância. Reencontraram-se depois de muitos anos, em 1952 e depois de 12 anos juntos, casaram-se em 1964 e assim ficaram até a sua morte em 1980.
Na época em que moravam juntos, Cartola compôs "As Rosas Não Falam", "Nós Dois" (feita dias antes do casamento de Cartola e Dona Zica) e "O sol Nascerá" (que se tornou um grande sucesso na voz de Nara Leão).
Ao longo de seus 72 anos de vida, Cartola compôs, cerca de quinhentas canções. Seus principais parceiros: Elton Medeiros, Carlos Cachaça, Noel Rosa e Dalmo Castello.
Em 1974, aos 65 anos de idade, gravou o primeiro de seus quatro discos solo, e sua carreira tomou impulso de novo com clássicos instantâneos como "As Rosas Não Falam", "O Mundo É um Moinho", (samba favorito do grande poeta Carlos Drummond de Andrade), "Acontece", "O Sol Nascerá" (com Elton Medeiros), "Quem Me Vê Sorrindo" (com Carlos Cachaça), "Cordas de Aço" e "Alegria".
Suas canções são musicalmente bastante elaboradas e suas letras têm uma intensa carga poética, e até hoje essas músicas são regravadas por vários intérpretes, tamanha é a grandeza de seus versos e melodias. "O Sol Nascerá", por exemplo, já teve mais de seiscentas regravações.Cartola foi merecidamente reconhecido, como um verdadeiro talento. Seu dom artístico, fez dele o maior sambista carioca de todos os tempos. Prova disso, suas impecáveis letras carregadas de poesia além das melodias, com harmonias de um verdadeiro mestre, reconhecidas não somente por aprendizes de violão, como também por músicos de sólida formação e maestros.
Suas músicas não devem nada a ninguém, como bem o souberam Villa-Lobos e Noel Rosa, citando apenas dois dos seus mais extremados admiradores.
A vida de Cartola, entretanto, jamais foi um mar “verde e rosa”. Apesar de todo sucesso de seus sambas, e de ter sido muito querido por todos, nunca recebeu, em vida, consideração à altura de sua obra. Morreu pobre, morando em Jacarepaguá, numa casa doada pela prefeitura do Rio de Janeiro. Muitas foram as homenagens póstumas prestadas a ele por artistas como Beth Carvalho, Alcione, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Leny Andrade, Cazuza e Marisa Monte. Exemplos disso são o LP "Bate Outra Vez" de 1988, o CD de Leny Andrade, lançado em 1994, e a homenagem prestada por Chico Buarque num CD gravado em 1997 (Chico Buarque de Mangueira) feito em companhia dos integrantes da Estação Primeira de Mangueira.
Cartola nasceu num domingo de primavera e também morreu num domingo de primavera. No dia 30 de Novembro de 1980, calou-se a voz do poeta e compositor, que, com uma da mais bela arte, transformou a dificuldade de sua vida em uma flor.
“Cartola não existiu, foi um sonho que a gente teve.”
(Nelson Sargento)

Bibliografia:
Cartola. História da Música Popular Brasileira, volume 17, São Paulo, Abril Cultural,1971.
Cartola. Nova História da Música Popular Brasileira, volume 15, São Paulo, Abril Cultural, 1977.
DIAS, Rosa Maria. Filosofia na Verde-Rosa. Rumos - os caminhos do Brasil em debate, ano I, nº 1, dezembro 1998/ janeiro 1999: p. 90 - 94. Enciclopédia da Música Brasileira - Popular, Erudita e Folclórica. São Paulo: Art Editora, 1998.
SILVA, Marília T. Barboza e OLIVEIRA FILHO, Arthur. Cartola, os Tempos Idos. Rio de Janeiro: Funarte, 1983.
LETRAS DAS MÚSICAS
ACONTECE
(Cartola)
Esquece nosso amor, vê se esquece
Porque tudo no mundo acontece
E acontece que já não sei mais amar
Vai chorar, vai sofrer
E você não merece
Mas isso acontece
Acontece que meu coração ficou frio
E nosso ninho de amor está vazio
Se eu ainda pudesse fingir que te amo
Ai, se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo
Isso não acontece.
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TIVE SIM
(Cartola)
Tive sim
Outro grande amor antes do teu
Tive sim
O que ela sonhava eram os meus
Sonhos e assim íamos vivendo em paz...
Nosso lar em nosso lar
Sempre houve alegria eu vivia tão contente
Como contente ao teu lado estou
Tive sim
Mas comparar com teu amor
Seria o fim...Eu vou calar
Pois não pretendo amor te magoar
Ai...ai...ai...ai
pois não pretendo amor te magoar...
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O MUNDO É UM MOINHO
(Cartola)
Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
E em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés...
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PEITO VAZIO
(Cartola / Elton Medeiros)
Nada consigo fazer quando a saudade aperta
Foge-me a inspiração sinto a alma deserta.
Um vazio se faz em meu peito
E de fato eu sinto em meu peito um vazio
Me faltando as tuas carícias
As noites são longas e eu sinto mais frio
Procuro afogar no álcool a tua lembrança
Vou seguir os conselhos de amigos
E garanto que não beberei nunca mais
E com o tempo essa imensa saudade que
Sinto se esvai
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AS ROSAS NÃO FALAM
(Cartola)
Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar para mim
Queixo-me às rosas, que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai
Devias vir para ver os meus olhos tristonhos
E quem sabe sonhavas meus sonhos por fim...
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ALVORADA
(Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho)
Alvorada
Lá no morro, que beleza
Ninguém chora, não há tristeza
Ninguém sente dissabor
O sol colorindo
É tão lindo, é tão lindo
E a natureza sorrindo
Tingindo, tingindo
Você também me lembra a alvorada
Quando chega iluminando
Meus caminhos tão sem vida
Mas o que me resta
É bem pouco, quase nada
Do que ir assim vagando
Numa estrada perdida
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DISFARÇA E CHORA
Cartola / Dalmo Castello
Chora, disfarça e chora
Aproveita a voz do lamento
Que já vem a aurora
A pessoa que tanto querias
Antes mesmo de raiar o dia
Deixou o ensaio por outra
Oh, triste senhora
Disfarça e chora
Todo pranto tem hora
E eu vejo teu pranto cair
No momento mais certo
Olhar, gostar só de longe
Não faz ninguém chegar perto
E o teu pranto, oh triste senhora
Vai molhar o deserto.
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SIM
(Cartola / Oswaldo Martins)
Sim, deve haver o perdão para mim
Senão nem sei qual será o meu fim
Para ter uma companheira até promessas fiz
Consegui um grande amor, mas eu não fui feliz
E com raiva, para os céus os braços levantei, blasfemei
Hoje todos são contra mim
Todos erram neste mundo, não há exceção
Quando voltam à realidade, conseguem perdão
Por que é que eu, senhor
Que errei pela vez primeira
Passo tantos dissabores
E luto contra a humanidade inteira?
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CORRA E OLHE O CÉU
(Cartola / Dalmo Castello)
Linda
Te sinto mais bela
Te fico na espera
Me sinto tão só
Mas o tempo que passa
Em dor maior, bem maior
Linda
No que se apresenta
O triste se ausenta
Fez-se a alegria
Corra e olhe o céu
Que o sol vem trazer
Bom dia
Ai, corra e olhe o céu
Que o sol vem trazer
Bom dia.
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A COR DA ESPERANÇA
(Cartola / Roberto Nascimento)
Amanhã,
A tristeza vai transformar-se em alegria,
E o sol vai brilhar no céu de um novo dia,
Vamos sair pelas ruas, pelas ruas da cidade,
Peito aberto,
Cara ao sol da felicidade.
E no canto de amor assim,
Sempre vão surgir em mim, novas fantasias,
Sinto vibrando no ar,
E sei que não é vã, a cor da esperança,
A esperança do amanhã.
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O SOL NASCERÁ
(Cartola / Elton Medeiros)
A sorrir
Eu pretendo levar a vida
Pois chorando
Eu vi a mocidade perdida
Finda a tempestade
O sol nascerá
Finda esta saudade
Hei de ter outro alguém para amar
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FESTA DA VINDA
(Cartola / Nuno Velloso)
Eu e meu violão
Vamos rogando em vão o seu regresso.
Se soubesse como choro e como peço
Prá que nosso fracasso se transforme em progresso
Apesar de todo erro espero ainda
Que a festa do adeus seja festa da vinda
Já perdi tantos amores não notei diferença
Pensei que passavam séculos sem a sua presença
Misturada entre as pedras preciosas do mundo
Com um simples olhar a você não confundo.
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QUEM ME VÊ SORRINDO
(Cartola / Carlos Cachaça)
Quem me vê sorrindo
Pensa que estou alegre
O meu sorriso é por consolação
Porque sei conter para ninguém ver
O pranto do meu coração
O que eu verti por este amor talvez
Não compreendestes e se eu disser não crês
Depois de derramado ainda soluçando
Tornei-me alegre estou cantando
Quem me vê sorrindo...
Compreendi o erro de toda a humanidade
Uns choram por prazer, outros com saudade
Jurei a minha jura, jamais eu quebrarei
Todo o pranto esconderei
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AMOR PROIBIDO
(Cartola)
Sabes que vou partir
Com os olhos rasos d’água
E o coração ferido
Quando lembrar de ti
Me lembrarei também
Deste amor proibido
Fácil demais fui presa
Servi de pasto em tua mesa
Mas fiques certa que jamais
Terás o meu amor
Porque não tens pudor
Faço tudo prá evitar o mau
Sou pelo mau perseguido
Só o que faltava era esta
Fui trair meu grande amigo
Mas vou limpar a mente
Sei que errei, errei inocente
Só porque não tens pudor
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ORDENES E FAREI
(Cartola / Aloísio Dias)
Meu amor, minha flor
Teu olhar reluz, inspira amor, seduz
Quando te vejo sinto em mim um calor, ô ô
Só por ti sofrerei
Até condenado à morte serei, meu amor
Os teus olhos tão lindos da cor do luar
Os teus olhos que fazem meus olhos chorar
Escravizado para sempre serei
Estarei a teu lado
O que precisares
Ordenes, farei.
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ALEGRIA
(Cartola)
Alegria
Era o que faltava em mim
Uma esperança vaga
Eu já encontrei
Pelos carinhos que me faz
Me deixa em paz
Não te quero ver
Para nunca mais
Eu sei
Que teus beijos e abraços
Tudo isso não passa
De pura hipocrisia
Já que tu não és sincera
Eu vou te abandonar
Um dia
Alegria.
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MINHA
(Cartola)
Minha
Quem disse que ela foi minha?
Se fosse seria rainha
Que sempre vinha aos sonhos meus
Minha
Ela não foi um só instante
Como mentiam as cartomantes
Como eram falsas as bolas de cristal
Minha
Repete agora esta cigana
Lembrando fatos envelhecidos
Que já não ferem mais os meus ouvidos.
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SALA DE RECEPÇÃO
(Cartola)
Habitada por gente simples e tão pobre
Que só tem o sol que a todos cobre
Como podes, Mangueira, cantar?
Pois então saiba que não desejamos mais nada
A noite e a lua prateada
Silenciosa, ouve as nossas canções
Tem lá no alto um cruzeiro
Onde fazemos nossas orações
E temos orgulho de ser os primeiros campeões
Eu digo e afirmo que a felicidade aqui mora
E as outras escolas até choram
Invejando a tua posição
Minha Mangueira, és a sala de recepção
Aqui se abraça o inimigo
Como se fosse irmão.
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SEI CHORAR
(Cartola)
Sei chorar
Eu também já sei sentir a dor
Estou cansado de ouvir dizer
Que aprende-se a sofrer no amor
Hoje eu choro
Que a mulher que adoro
Talvez caiu nos braços de outro
Sorrindo
Repete as mesmas promessas
Mentindo chorava
Fui iludido
Sim pela primeira vez no amor
E quase sempre seu nome repito
Em cada frase que espio de dor
Sei chorar.
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ENSABOA
(Cartola)
Ensaboa mulata ensaboa
Ensaboa tô ensaboando
Estou lavando a minha roupa
Lá em casa estão me chamando dondó
Ensaboa mulata ensaboa
O fio que é meu
Que é meu e que é dela
Rebenta guéla de tanto chorar
O rio tá seco o sol não vem não
Vortemo prá casa chamando dondó.
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CORDAS DE AÇO
(Cartola)
Ai, essas cordas de aço
Este minúsculo braço
Do violão que os dedos meus acariciam
Ai, esse bojo perfeito
Que trago junto ao meu peito
Só você, violão, compreende porque
Perdi toda alegria
E, no entanto, meu pinho
Pode crer, eu adivinho
Aquela mulher até hoje
está nos esperando.
Solte o seu som da madeira
Eu, você e a companheira
À madrugada iremos pra casa cantando.
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O INVERNO DO MEU TEMPO
(Cartola /Roberto Nascimento)
Surge a alvorada
Folhas a voar
E o inverno do meu tempo
Começa a brotar a minar
E os sonhos do passado
Do passado estão presentes
E o amor que não envelhece jamais
Eu tenho paz...E ela tem paz
Nossas vidas muito sofridas
Caminhos tortuosos entre flores
E espinhos demais
Já não sinto saudades
Saudades de nada que vi
No inverno do tempo da vida
Oh! Deus eu me sinto feliz
Eu me sinto feliz
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A CANÇÃO QUE CHEGOU
(Cartola / Nuno Velloso)
Na manhã que nascia encontrei
O que na noite tardia desejei
E vou feliz a cantar por aí assim
Toda tristeza que havia
Agora expulsei com a canção que chegou
E vou cantando alegre.
A felicidade que Jesus mandou
Me lembro dos tempos de outrora
Que quase me roubam a esperança e a fé
E hoje me volto contente
Cantando pra Deus que tanto me ajudou
Não vou culpar os amigos fingidos
Que outrora eu tive na vida.
Nem vou dizer que a razão do fracasso
Se prende a batalhas perdidas
E confiante despeço-me todo feliz a cantar
Agradecido ao bom senhor por me ajudar....
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AUTONOMIA
(Cartola)
É impossível nesta primavera, eu sei
Impossível, pois longe estarei
Mas pensando em nosso amor
Amor sincero
Ai, se eu tivesse autonomia
Se eu pudesse gritaria
Não vou, não quero
Escravizaram assim um pobre coração
É necessária nova abolição
Pra trazer de volta a minha liberdade
Se eu pudesse gritaria, amor
Se eu pudesse brigaria amor
Não vou, não quero.
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TEMPOS IDOS
(Cartola / Carlos Cachaça)
Os tempos idos, nunca esquecidos,
trazem saudades ao recordar
É com tristeza que relembro
coisas remotas que não vêm mais.
Uma escola na Praça Onze, testemunha ocular
E perto dela uma balança
onde os malandros iam sambar
Depois aos poucos o nosso samba,
sem sentirmos se aprimorou
Pelos salões da sociedade
sem cerimônia ele entrou
Já não pertence mais à praça,
já não é samba de terreiro
Vitorioso ele partiu para o estrangeiro
E muito bem representado
por inspiração de geniais artistas
O nosso samba, humilde samba,
foi de conquistas em conquistas
Conseguiu penetrar no municipal,
depois de percorrer todo o universo
Com a mesma roupagem que saiu daqui
Exibiu-se pra Duquesa de Ken no Itamarati.
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NÓS DOIS
(Cartola)
Está chegando o momento de irmos pro altar
Nós dois
Mas antes da cerimônia devemos pensar
em depois.
Terminam nossas aventuras
Chega de tanta procura
Nenhum de nós deve ter mais alguma ilusão
Devemos trocar idéias e mudarmos de idéias
Nós dois
E se assim procedermos seremos felizes
depois
Nada mais nos interessa
Sejamos indiferentes
Só nós dois, apenas dois
Eternamente.
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