Noel Rosa

 

Noel de Medeiros Rosa

Sambista, compositor, bandolinista, violonista brasileiro e um dos maiores e mais importantes artistas da música no Brasil.

Foi responsável pela união do samba do morro com o do asfalto.
Fato este que mudaria para sempre, não só o samba,
mas a história da música popular brasileira.

 

Nasceu no Rio de Janeiro em 11 de Dezembro de 1910
Foi sambista, compositor, cantor, bandolinista, violonista brasileiro, e um dos maiores e mais importante compositor da música no Brasil. Foi responsável pela união do samba do morro com o do asfalto. Fato este que mudaria para sempre, não só o samba, mas a história da música popular brasileira.

 

Noel nasceu de um parto difícil em que o uso do fórceps   pelo médico causou-lhe um afundamento da mandíbula que o marcou por toda a vida. Criado no bairro carioca de Vila Isabel, filho do comerciante Manuel Garcia de Medeiros Rosa e da professora Martha de Medeiros Rosa, Noel era de família de classe média, tendo estudado no tradicional Colégio São Bento de 1913 a 1918.
Adolescente, aprendeu a tocar bandolim de ouvido e tomou gosto pela música - e pela atenção que ela lhe proporcionava. Logo, passou ao violão e cedo tornou-se figura conhecida da boemia carioca. Entrou para a Faculdade de Medicina, mas logo o projeto de estudar mostrou-se pouco atraente diante da vida de artista, em meio ao samba e noitadas regadas à cerveja. Noel foi integrante de vários grupos musicais, entre eles o Bando dos Tangarás, ao lado de João de Barro (o Braguinha), Almirante, Alvinho e Henrique Brito.
Em 1929, Noel arriscou as suas primeiras composições, "Minha Viola" e "Toada do Céu", ambas gravadas por ele mesmo. Mas foi em 1930 que o sucesso chegou, com o lançamento de "Com que roupa?", um samba bem-humorado que sobreviveu décadas e hoje é um clássico do cancioneiro brasileiro. Noel revelou-se um talentoso cronista do cotidiano, com uma seqüência de canções que primam pelo humor e pela veia crítica. Noel também foi protagonista de uma curiosa polêmica travada através de canções com seu rival Wilson Batista. Os dois compositores atacaram-se mutuamente em sambas agressivos e bem-humorados, que renderam bons frutos para a música brasileira, incluindo clássicos de Noel como "Feitiço da Vila" e "Palpite Infeliz". Entre os intérpretes que passaram a cantar seus sambas, destacam-se Mário Reis, Francisco Alves e Aracy de Almeida.
Noel teve ao mesmo tempo algumas namoradas. Casou-se em 1934 com Lindaura, mas era apaixonado mesmo por Ceci, a dama do cabaré. Passou os anos seguintes travando um batalha contra a tuberculose. A boemia, porém, nunca deixou de ser um atrativo irresistível para o artista, que entre viagens para cidades mais altas em função do clima mais puro, sempre voltava para o samba, a bebida e o cigarro. Mudou-se para Belo Horizonte e de lá escreveu ao seu médico, Dr. Graça Melo:
Já apresento melhoras,
Pois levanto muito cedo
E deitar às nove horas
Para mim é um brinquedo.
A injeção me tortura
E muito medo me mete,
Mas minha temperatura
Não passa de trinta e sete!
Creio que fiz muito mal
Em desprezar o cigarro
Pois não há material
Para o exame de escarro!
Trabalhou na Rádio Mineira e entrou em contato com compositores amigos da noite, como Rômulo Pais, recaindo sempre na boêmia. De volta ao Rio, jurou estar curado. Faleceu em sua casa no bairro de Vila Isabel no ano de 1937, aos 26 anos, em conseqüência da doença que o perseguia desde sempre.  (Rio de Janeiro, 4 de maio de 1937).
Foram mais de trezentas composições criadas por Noel, destacando-se:

  1. A.E.I.O.U. (com Lamartine Babo), 1931

  2. Até amanhã 1932

  3. Cem mil réis (com Vadico), 1936

  4. Com que roupa? 1929

  5. Conversa de botequim (com Vadico), 1935

  6. Coração 1932

  7. Cor de cinza 1933

  8. Dama do cabaré 1934

  9. De babado (com João Mina), 1936

  10. É bom parar (com Rubens Soares), 1936

  11. Feitiço da Vila (com Vadico), 1936

  12. Feitio de oração (com Vadico), 1933

  13. Filosofia (com André Filho), 1933

  14. Fita amarela 1932

  15. Gago apaixonado 1930

  16. João Ninguém 1935

  17. Minha viola 1929

  18. Mulher Indigesta

  19. Não tem tradução 1933

  20. O orvalho vem caindo (com Kid Pepe), 1933

  21. O x do problema 1936

  22. Palpite infeliz 1935

  23. Para me livrar do mal (com Ismael Silva), 1932

  24. Pastorinhas (com João de Barro), 1934

  25. Pela décima vez 1935

  26. Pierrô apaixonado (com H. dos Prazeres), 1935

  27. Positivismo (com Orestes Barbosa), 1933

  28. Pra que mentir (com Vadico), 1937

  29. Provei (com Vadico), 1936

  30. Quando o samba acabou 1933

  31. Quem dá mais? 1930

  32. Quem ri melhor 1936

  33. São coisas nossas 1936

  34. Tarzan, o filho do alfaiate 1936

  35. Três apitos 1933

  36. Último desejo 1937

  37. Você só...mente (com Hélio Rosa), 1933

 

Noel Rosa

 

Noel Rosa pode não ter sido o melhor compositor da chamada Época de Ouro da música popular brasileira (1930-1945), mas foi, decerto, o mais importante. De uma importância que pode ser resumida em duas palavras: transformação e integração. Como uma e outra, por si só, não dizem muito, é preciso explicá-las. A transformação que Noel Rosa empreendeu diz respeito à lírica da canção popular. Antes, a letra coloquial, anedótica, debochada, satírica, confinava-se aos limites da canção carnavalesca. As letras ditas “sérias”, principalmente as de cunho romântico, perdiam-se em preciosismos, em imagens parnasianas, em exageros poéticos. Foi Noel Rosa quem demonstrou — com suas letras inspiradas no linguajar do povo, nos episódios do dia-a-dia, nos personagens de sua cidade, nos temas de sua época e ao mesmo tempo de todas as épocas, como os maus governos, a falta de dinheiro, a fome, o crime, a mendicância, a marginalidade, a boêmia — que tudo cabe numa canção “séria”, ainda que haja lugar também para o humor e a crítica irreverente. É verdade que, nessa transformação, ele não esteve sozinho. Pelo menos Lamartine Babo foi um aliado de peso. Mas ninguém, nem mesmo Lamartine, levou tão longe sua proposta: até em suas canções de amor, Noel desce das alturas do poeta derramado para o chão do homem comum. E o faz de forma admirável, única. A letra de música torna-se outra forma de arte depois dele. Quanto à integração, refere-se às conscientes viagens que realizou morro acima (Mangueira, Salgueiro, São Carlos, Serrinha, Gamboa, Favela), atrás dos compositores negros que faziam, nos anos 20 e 30, o melhor samba carioca. Noel tornou-se parceiro deles e, como nenhum outro, integrou-se à estética de cada um. Numa época em que parcerias inter-raciais praticamente inexistiam, o jovem branco, culto, da classe média de Vila Isabel, se uniria a nada menos de 13 sambistas de morro (entre os quais Cartola, Bide e Antenor Gargalhada) para enriquecer a música deles e, principalmente, a sua própria. Com isso, seus sambas tornam-se modelos da grande canção popular da Época de Ouro. Tanto nas letras que a partir dele se descobriu serem possíveis (e até aconselháveis) como nas melodias que os negros lhe passaram. A que outro compositor-letrista daquele tempo se pode atribuir igual importância?
  

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