“No tempo do quando, poesia é fundamental.

É preciso que haja qualquer coisa de louco e lírico em tudo.

Uma saudade inesperada, um  escocês ao alcance da mão e

 uma larga esperança de um mundo mais decente"

 

 

Que não seja Imortal

 posto que é chama

Mas que seja Infinito

enquanto dure.

                                                          

Vinícius  de  Moraes

 

 

Poeta, compositor, intérprete e diplomata brasileiro.

Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes, filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário da prefeitura, poeta, violonista amador, e de Lídia Cruz de Moraes, pianista também amadora. Nasceu no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro, em 19 de Outubro de 1913 e faleceu, aos 67 anos, na mesma cidade em 09 de Julho de 1980.

Escreveu seu primeiro poema aos sete anos.

Fez curso de Direito no Rio e de Literatura Inglesa em Oxford.

    Em 1933, quando terminou a faculdade de direito, aos 19 anos, publicou o primeiro livro de versos – “O caminho para a distância” – pela Schmidt Editora, edição recolhida pelo autor. Nessa época, era amigo de Manuel Bandeira, Oswald de Andrade e Mário de Andrade. Em 1935, seu livro “Forma e exegese” recebeu o prêmio Filipe d’Oliveira. No ano seguinte, (1936), publicou em separata o poema “Ariana, a mulher” que é o apogeu de sua primeira fase, impregnada de sentido místico.

     Começou então a usar uma sintaxe mais popular, e sua lírica se carrega de sensualismo a partir de “Cinco Elegias” (1938) e “Poemas, Sonetos e Baladas” (1948), enriquecendo-se depois com temas de sentido social. Publica também “Livro de Sonetos”, “Procura-se uma Rosa” e “Para Viver um Grande Amor”. O lirismo, muitas vezes sensual, é a sua marca registrada.

     Em 1953 compôs o primeiro samba, “Quando tu passas por mim” em parceria com Antônio Maria. Ainda nesse ano, seguiu para Paris, França, como segundo secretário da embaixada.  Em 1955 publicou a “Antologia poética” e, com Cláudio Santoro, compôs algumas canções de câmara.

     No Brasil em 1956, resolveu montar para teatro, “Orfeu da Conceição”(1953) .O cenarista da peça foi Oscar Niemeyer e a música ficou a cargo de um jovem pianista – Tom Jobim – quase desconhecido na época, sendo seu parceiro nas belíssimas composições:  “Lamento do morro”, “Se todos fossem iguais a você”, “Um nome de mulher”,” Mulher, sempre mulher”,” Eu e o meu amor” , entre outras.

     Seu drama Orfeu da Conceição foi transposto para o cinema por Macel Camus em 1959 (como Orfeu Negro), ganhou neste ano a Palma de Ouro do Festival de Cannes e o Oscar de Hollywood como o melhor filme estrangeiro.

        Na década de 60 junta-se a jovens músicos no movimento conhecido como Bossa Nova, mesclando elementos de samba e jazz. Comporia, junto com Tom Jobim, a música Garota de Ipanema, símbolo de uma época. Uma grande quantidade de poemas seus foi posteriormente musicada.

 

O biógrafo de Vinicius, José Castello, autor do excelente livro "Vinicius de Moraes: o Poeta da Paixão - uma biografia" nos diz que o poeta foi um homem que viveu para se ultrapassar e para se desmentir. Para se entregar totalmente e fugir, depois, em definitivo. Para jogar, enfim, com as ilusões e com a credulidade, por saber que a vida nada mais é que uma forma encarnada de ficção. Foi, antes de tudo, um apaixonado — e a paixão, sabemos desde os gregos, é o terreno do indomável. Daí porque fazer sua biografia era obra ingrata.

Dele disse Carlos Drummond de Andrade: "Vinicius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural".  "Eu queria ter sido Vinicius de Moraes". 

Definindo Vinícius, Otto Lara Resende  : "Manuel Bandeira viveu e morreu com as raízes enterradas no Recife. João Cabral continua ligado à cana-de-açúcar. Drummond nunca deixou de ser mineiro. Vinicius é um poeta em paz com a sua cidade, o Rio. É o único poeta carioca". Mas ele dizia nada mais ser que "um labirinto em busca de uma saída". 

         O que torna Vinicius um grande poeta é a percepção do lado obscuro do homem. E a coragem de enfrentá-lo. Parte, desde o princípio, dos temas fundamentais: o mistério, a paixão e a morte. Quando deixa a poesia em segundo plano para se tornar show-man da MPB, para viver nove casamentos, para atravessar a vida viajando, Vinicius está exercendo, mais que nunca, o poder que Drummond descreve, sem conseguir dissimular sua imensa inveja:

 "Foi o único de nós que teve a vida de poeta".

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

Poesia/Prosa:

 

- O Caminho para a Distância, 1933 - Schmidt Ed, Rio (recolhida pelo autor)

- Ariana, a Mulher, 1936 - Pongetti – Rio

- Forma e Exegese, 1935 - Pongetti - Rio (Prêmio Felippe d'Oliveira)

- Novos Poemas, 1938 - José Olympio – Rio

- Cinco Elegias, 1943 - Pongetti - Rio (ed.feita a pedido de Manuel Bandeira, Aníbal Machado e Octávio de Farias)

- 10 poemas em manuscrito - 1945, Condé (edição ilustrada de 150 exemplares)

- Poemas, Sonetos e Baladas, 1946 - Ed. Gávea - São Paulo (ilustrações de Carlos Leão)

- Pátria Minha, 1949 - O Livro Inconsútil - Barcelona (ed.feita por João Cabral de Melo Neto em sua prensa manual)

- Orfeu da Conceição, 1956 - Editora do Autor - Rio  (ilustrações de Carlos Scliar)

- Livro de Sonetos, 1957 - Livros de Portugal – Rio

- Novos Poemas (II), 1959 - Livraria São José - Rio.

- Orfeu da Conceição, 1960 - Livraria São José - Rio (edição popular)

- Para Viver um Grande Amor, 1962 - Ed. do Autor – Rio

- Cordélia e o Peregrino, 1965 - Ed.do Serviço de Documentação do M. da Educação e Cultura – Brasília

- Para uma Menina com uma Flor, 1966 - Ed. do Autor – Rio

- Orfeu da Conceição, 1967 - Editora Dois Amigos - Rio (com ilustrações de Carlos Scliar)

- O Mergulhador, 1968 - Atelier de Arte - Rio (fotos de Pedro de Moraes, filho do autor.

 - História natural de Pablo Neruda, 1974 - Ed.Macunaíma - Salvador.

- O falso mendigo, poemas de Vinicius de Moraes - 1978, Ed. Fontana – Rio

- Vinicius de Moraes - Poemas de muito amor, 1982 - José Olympio, Rio

- A arca de Noé - 1991, Cia. das Letras - São Paulo

- Livro de Letras, 1991, Cia. das Letras - São Paulo

- Roteiro lírico e sentimental da Cidade do Rio de Janeiro e outros lugares por onde passou e se encantou o poeta, 1992 - Cia. das Letras – São Paulo

- As Coisas do Alto - Poemas de Formação, 1993 - Cia. das Letras - São Paulo

- Jardim Noturno - Poemas Inéditos, 1993 - Cia. das Letras - São Paulo

- Soneto de Fidelidade e outros Poemas, 1996 - Ediouro - Rio (ed. bolso)

- Procura-se uma Rosa, Massao Ohno Ed. - São Paulo (peça de teatro em colaboração com Pedro Bloch e Gláucio Gil)

- A Arca de Noé, Cia. das Letras - São Paulo

- O Cinema de Meus Olhos, Cia. das Letras - São Paulo

- Nossa Senhora de Paris, Ediouro – Rio

- Teatro em Versos - 1995, Cia. das Letras - São Paulo

- Rio de Janeiro (com Ferreira Gullar), Ed. Record - Rio (edições em alemão, francês, inglês, italiano e português).

- Querido Poeta - Correspondências de Vinicius de Moraes (organização de Ruy Castro), Cia. das Letras, São Paulo, 2003.

 

Francês:

- Cinc Elégies, 1953 - Ed. Seghers - Paris (trad. de Jean-Georges Rueff)

- Recette de Femme et autres poèmes, 1960 - Ed. Seghers - Paris (escolha e tradução de Jean-Georges Rueff)

Italiano:
- Orfeo Negro, 1961 - Nuova Academia Editrice - Milão (tradução de P. A. Jannini)

 

Antologias:

- Antologia Poética, 1954 - Editora A Noite - Rio de Janeiro

- Obra poética - Poesia Completa e Prosa, Editora Nova Aguillar, 1968

Teatro
- Procura-se uma rosa
, 1962 (com Pedro Bloch e Gláucio Gil.)

 

Dados compilados dos livros "Vinicius de Moraes: O poeta da Paixão - uma biografia", "Perfis do Rio", de José Castello, Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha e dos sites:

http://www.releituras.com/

http://www.secrel.com.br/jpoesia/poesia.html

http://www.mpbnet.com.br

 

 

Sobre o Autor:

- O Poeta da Paixão, José Castello, 1994 - Cia. das Letras - São Paulo

- Vinícius de Moraes - Uma Geografia Poética, José Castello, 1996 - Ed.  Relume Dumará

- Vinícius de Moraes, Pedro Lyra, Editora Agir

- Vinícius Sem Ponto Final , João Carlos Pecci, 1994- Ed. Saraiva.

- DVD- Vinícius- Um filme de Miguel Faria Jr.

 

 

POESIAS, PROSAS e SONETOS

 

AUSÊNCIA

A MULHER QUE PASSA

SONETO DA SEPARAÇÃO

SONETO DA INTIMIDADE

O FILHO DO HOMEM

RECEITA DE MULHER

LIBELO

A MORTE DE MADRUGADA

 

 

AUSÊNCIA


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.

Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.

No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.

Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.

Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.

Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.

Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.

E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.

Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.

Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.

E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.

Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

 

 

A MULHER QUE PASSA

Meu Deus, eu quero a mulher que passa
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas

Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
 Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me concontrava se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não
voltas à minha vida
Para o
que sofro não ser desgraça
?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacífica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.

 

 

 

SONETO DA SEPARAÇÃO

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

 

 

 

SONETO DA INTIMIDADE

Nas tardes de fazenda há muito azul demais.
Eu saio as vezes, sigo pelo pasto, agora
Mastigando um capim, o peito nu de fora
No pijama irreal de há três anos atrás.

Desço o rio no vau dos pequenos canais
Para ir beber na fonte a água fria e sonora
E se encontro no mato o rubro de uma amora
Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.

Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme
E quando por acaso uma mijada ferve

Seguida de um olhar não sem malícia e verve
Nós
todos, animais, sem comoção nenhuma
Mijamos em comum numa festa de espuma.

 

 

 

O FILHO DO HOMEM

O mundo parou
A estrela morreu
No fundo da treva
O infante nasceu.

Nasceu num estábulo
Pequeno e singelo
Com boi e charrua
Com foice e martelo
Ao lado do infante
O homem e a mulher
Uma tal Maria
Um José qualquer.

A noite o fez negro
Fogo o avermelhou
A aurora nascente
Todo o amarelou.

O dia o fez branco
Branco como a luz
À falta de um nome
Chamou-se Jesus.

Jesus pequenino
Filho natural
Ergue-te, menino
É triste o Natal.

 

 

 

RECEITA DE MULHER

As muito feias que me perdoem. Mas beleza é fundamental.

É preciso que haja qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture em tudo isso (ou então que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República [Popular Chinesa).

Não há meio-termo possível. É preciso que tudo isso seja belo. É preciso que súbito tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.

É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche no olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso que tudo seja belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas lembrem um verso de Eluard e que se acaricie nuns braços alguma coisa além da carne: que se os toque como ao âmbar de uma tarde.

Ah, deixai-e dizer-vos que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então
nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca
fresca (nunca úmida!) e também de extrema pertinência.

É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas no enlaçar de uma cintura semovente.

Gravíssimo é, porém, o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras é como um rio sem pontes. Indispensável que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida a mulher se alteie em cálice, e que seus seios sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca.
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de 5 velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas e que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem. No entanto, sensível à carícia em sentido contrário.

É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)

Preferíveis sem dúvida os pescoços longos de forma que a cabeça dê por vezes a impressão de nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre

flores sem mistério.

Pés e mãos devem conter elementos góticos discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37° centígrados podendo eventualmente provocar queimaduras do 1° grau.

Os olhos, que sejam de preferência grandes e de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e que se coloquem sempre para lá de um invisível muro da paixão que é preciso ultrapassar.

Que a mulher seja em princípio alta ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.

Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que, se se fechar os olhos
ao abri-los ela não mais estará presente com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá.

E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber O fel da dúvida. Oh, sobretudo que ela não perca nunca, não importa em que mundo não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade de pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre o impossível perfume; e destile sempre o embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.

 

 

 

LIBELO

De que mais precisa um homem senão de um pedaço de mar – e um barco com o nome da amiga, e uma linha e um anzol pra pescar ?
 

E enquanto pescando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos, uma pro caniço, outra pro queixo, que é para ele poder se perder no infinito, e uma garrafa de cachaça pra puxar tristeza, e um pouco de pensamento pra pensar até se perder no infinito...
 
 De que mais precisa um homem senão de um pedaço de terra -- um pedaço bem verde de terra -- e uma casa, não grande, branquinha, com uma horta e um modesto pomar; e um jardim – que um jardim é importante – carregado de [flor de cheirar ?
 

E enquanto morando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem [senão de suas mãos para mexer a terra e arranhar uns acordes de violão quando a noite se faz de luar, e uma garrafa de uísque pra puxar

mistério, que casa sem mistério não valor morar...


De que mais precisa um homem senão de um amigo pra ele gostar, um  amigo bem seco, bem simples, desses que nem precisa falar -- basta olhar um desses que desmereça um pouco da amizade, de um amigo pra

paz e pra briga, um amigo de paz e de bar ?


 E enquanto passando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos para apertar as mãos do amigo depois
das

ausências, e pra bater nas costas do amigo, e pra discutir com o amigo e pra servir bebida à vontade ao amigo ?


 De que mais precisa um homem senão de uma mulher pra ele amar, uma mulher com dois seios e um ventre, e uma certa expressão singular ? E enquanto   pensando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de um carinho de mulher quando a tristeza o derruba, ou o destino o carrega em sua onda sem rumo ?
 

Sim, de que mais precisa um homem senão de suas mãos e da mulher -- as únicas coisas livres que lhe restam para lutar pelo mar, pela terra, pelo
amigo ..."

 

 

 

 

 

A MORTE DE MADRUGADA

 

                                              Muerto cayó Federico ANTONIO MACHADO

Uma certa madrugada
Eu por um caminho andava
Não sei bem se estava bêbedo
Ou se tinha a morte n’alma
Não sei também se o caminho
Me perdia ou encaminhava
Só sei que a sede queimava-me
A boca desidratada.
Era uma terra estrangeira
Que me recordava algo
Com sua argila cor de sangue
E seu ar desesperado.
Lembro que havia uma estrela
Morrendo no céu vazio
De uma outra coisa me lembro:
... Un horizonte de perros
Ladra muy lejos del río...

 

De repente reconheço:
Eram campos de Granada!
Estava em terras de Espanha
Em sua terra ensangüentada
Por que estranha providência
Não sei
... não sabia nada...
Só sei da nuvem de pó
Caminhando sobre a estrada
E um duro passo de marcha
Que eu meu sentido avançava.
Como uma mancha de sangue
Abria-se a madrugada
Enquanto a estrela morria
Numa tremura de lágrima
Sobre as colinas vermelhas
Os galhos também choravam
Aumentando a fria angústia
Que de mim transverberava.


Era um grupo de soldados
Que pela estrada marchava
Trazendo fuzis ao ombro
E impiedade na cara
Entre eles andava um moço
De face morena e cálida
Cabelos soltos ao vento
Camisa desabotoada.
Diante de um velho muro
O tenente gritou: Alto!
E à frente conduz o moço
De fisionomia pálida.
Sem ser visto me aproximo
Daquela cena macabra
Ao tempo em que o pelotão
Se punha horizontal.


Súbito um raio de sol
Ao moço ilumina a face
E eu à boca levo as mãos
Para evitar que gritasse.
Era ele, era Federico
O poeta meu muito amado
A um muro de pedra-seca
Colado, como um fantasma.
Chamei-o: Garcia Lorca!
Mas já não ouvia nada
O horror da morte imatura
Sobre a expressão estampada...
Mas que me via, me via
Porque eu seus olhos havia
Uma luz mal-disfarçada.


Com o peito de dor rompido
Me quedei, paralisado
Enquanto os soldados miram
A cabeça delicada.


Assim vi a Federico
Entre dois canos de arma
A fitar-me estranhamente
Como querendo falar-me
Hoje sei que teve medo
Diante do inesperado
E foi maior seu martírio
Do que a tortura da carne.
Hoje sei que teve medo
Mas sei que não foi covarde
Pela curiosa maneira
Com que de longe me olhava
Como quem me diz: a morte
É sempre desagradável
Mas antes morrer ciente
Do que viver enganado.


Atiraram-lhe na cara
Os vendilhões de sua pátria
Nos seus olhos andaluzes
Em sua boca de palavras.
Muerto cayó Federico
Sobre a terra de Granada
La tierra del inocente
No la tierra del culpable.
Nos olhos que tinha abertos
Numa infinita mirada
Em meio a flores de sangue
A expressão se conservava
Como a segredar-me: A morte
É simples, de madrugada...

 

 

 

 

LETRAS E MÚSICAS EM PARCERIA

 

 

Samba de Orly

Desalento

Eu não existo sem você

Por que será?

Lamento

Modinha

O amor em paz

Mais um adeus

O mais que perfeito

O velho e a flor

Odeon

Por toda a minha vida

 

 

 

 

SAMBA DE ORLY

                                                                               

                                                                                    Chico Buarque / Toquinho / Vinícius



Vai meu irmão
Pega esse avião
Você tem razão
De correr assim
Desse frio
Mas beija
O meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro
Lance mão

Pede perdão
Pela duração Dessa temporada
Mas não diga nada
Que me viu chorando
E pros da pesada
Diz que eu vou levando
Vê com é que anda
Aquela vida à toa
E se puder me manda
Uma notícia boa

 

 

 

DESALENTO

 

                                                                                        Chico Buarque e Vinícius de Moraes

 

Sim, vai e diz, diz assim
Que eu chorei, que eu morri de arrependimento
Que o meu desalento já não tem mais fim
Vai e diz, diz assim
Como sou infeliz no meu descaminho
Diz que estou sozinho
E sem saber de mim
Diz que eu estive por pouco
Diz a ela que estou louco
Pra perdoar
Que seja lá como for, por amor
Por favor é pra ela voltar
Sim, vai e diz, diz assim
Que eu rodei, que eu bebi
Que eu cai, que eu não sei
Que eu só sei que cansei, enfim
Dos meus desencontros
Corre e diz a ela
Que eu entrego os pontos

 

 

 

EU NÃO EXISTO SEM VOCÊ

 

                                                                   Tom Jobim e Vinícius de Moraes

 

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem
você

 

 

 

POR QUE SERÁ?

 

                                                                    Toquinho, Carlinhos Vergueiro e Vinicius de Moraes

 

Por que será
Que eu ando triste por te adorar
Por que será
Que a vida insiste em se mostrar
Mais distraída dentro de um bar
Por que será
Por que será
Que o nosso assunto já se acabou
Por que será
Que o que era junto se separou
E o que era muito se definhou
Por que será
Eu
quantas vezes me sento à mesa de algum lugar
Falando coisas só por falar
Adiando a hora de te encontrar
É muito triste quando se sente tudo morrer
E ainda existe o amor que mente para esconder
Que o amor presente não tem mais nada para dizer

 

 

 

LAMENTO

 

                                                                               Pixinguinha e Vinícius de Moraes

 

Morena
Tem pena
Ouve o meu lamento
Tentei em vão

Te esquecer
Mas olha
O meu tormento é tanto
Que eu vivo em pranto
Sou tão infeliz
Não tem coisa mais triste meu benzinho
Que este chorinho que eu te fiz

Sozinha
Morena
Você nem tem mais pena
Ai, ai meu bem
Fiquei tão só
Tem dó
Tem dó de mim
Porque estou triste assim por amor de você
Não tem coisa mais linda nesse mundo
Que o meu carinho por você

Meu amor tem dó
Meu amor tem

 

 

 

 

 

MODINHA

 

                                                                               Tom Jobim e Vinícius de Moraes

 

Não
Não pode mais meu coração
Viver assim dilacerado
Escravizado a uma ilusão
Que é só
Desilusão

Ah, não seja a vida sempre assim
Como um luar desesperado
A derramar melancolia em mim
Poesia em mim

Vai, triste canção, sai do meu peito
E semeia a emoção
Que chora dentro do meu coração
Coração

 

 

 

O AMOR EM PAZ

 

Tom Jobim e Vinícius de Moraes

 

Eu amei
E amei ai de mim muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar
Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
A razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor
É a coisa mais triste
Quando se desfaz
O amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz

 

 

 

MAIS UM ADEUS

 

                                                                                         Toquinho e Vinícius de Moraes

 

Mais um adeus, uma separação
Outra vez solidão, outra vez sofrimento
Mais um adeus
Que não pode esperar
O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria e de repente
Uma vontade de chorar
Olha, benzinho, cuidado
Com o seu resfriado
Não pegue sereno, não tome gelado
O gin é um veneno, cuidado, benzinho
Não beba demais
Se guarde para mim
A ausência é um sofrimento
E se tiver um momento
Me escreva um carinho
E mande o dinheiro
Pro apartamento
Porque o vencimento não é como eu:
Não pode esperar
O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria e de repente
Uma vontade de chorar

 

 

 

O MAIS QUE PERFEITO

 

                                                                                       Jards Macalé e Vinícius de Moraes

 

Ah! Quem me dera ir-me contigo agora
A um horizonte firme comum embora
Ah ! Quem me dera amar-te sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar que nem presumes

Ah! Quem me dera ver-te sempre ao meu lado
Sem precisar dizer-te, jamais. Cuidado!
Ah! Quem me dera ter-te, como um lugar
Plantado num chão verde para eu morar-te

Ah! Quem me dera ter-te
Morar-te até morrer-te

 

 

 

O VELHO E A FLOR

 

                                        Toquinho e Vinícius de Moraes

 

Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou

O amor é o carinho
É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando chega sangrando
Aberta em pétalas de amor

 

 

 

 

 

 

ODEON

 

                                                                            Ernersto Nazareth e Vinícius de Moraes

 

Ai, quem me dera
O meu chorinho
Tanto tempo abandonado
E a melancolia que eu sentia
Quando ouvia
Ele fazer tanto chorar
Ai, nem me lembro
Há tanto, tanto
Todo o encanto
De um passado
Que era lindo
Era triste, era bom
Igualzinho a um chorinho
Chamado Odeon

Terçando flauta e cavaquinho
Meu chorinho se desata
Tira da canção do violão
Esse bordão
Que me dá vida
Que me mata
É só carinho
O meu chorinho
Quando pega e chega
Assim devagarzinho
Meia-luz, meia-voz, meio tom
Meu chorinho chamado Odeon

Ah, vem depressa
Chorinho querido, vem
Mostrar a graça
Que o choro sentido tem
Quanto tempo passou
Quanta coisa mudou
Já ninguém chora mais por ninguém

Ah, quem diria que um dia
Chorinho meu, você viria

Com a graça que o amor lhe deu
Pra dizer "não faz mal
Tanto faz, tanto fez
Eu voltei pra chorar com vocês"

Chora bastante meu chorinho
Teu chorinho de saudade
Diz ao bandolim pra não tocar
Tão lindo assim
Porque parece até maldade
Ai, meu chorinho
Eu só queria
Transformar em realidade
A poesia
Ai, que lindo, ai, que triste, ai, que bom
De um chorinho chamado Odeon

Chorinho antigo, chorinho amigo
Eu até hoje ainda percebo essa ilusão
Essa saudade que vai comigo
E até parece aquela prece
Que sai só do coração
Se eu pudesse recordar
E ser criança
Se eu pudesse renovar
Minha esperança
Se eu pudesse me lembrar
Como se dança
Esse chorinho
Que hoje em dia
Ninguém sabe mais

 

 

 

 

 

 

POR TODA A MINHA VIDA

 

                                                                       Tom Jobim e Vinícius de Moraes

 

Minha bem-amada
Quero fazer-te um juramento uma canção
Eu prometo, por toda a minha vida
Ser somente teu e amar-te como nunca
Ninguém jamais amou, ninguém

Minha bem-amada
Estrela pura aparecida
Eu te amo e te proclamo
O meu amor
O meu amor
Maior que tudo quanto existe
Oh, meu
amor

 

 

 

 

 

 

 

MÚSICAS CIFRADAS

 

 

Onde Anda Você

Eu Sei que Vou te Amar

Gente Humilde

Insensatez

Apelo

Bom dia, Tristeza

Carta ao Tom / Carta do Tom

Chega de Saudade

Como Dizia o Poeta

Escravo da Alegria

Marcha da Quarta-Feira de Cinzas

Minha Namorada

No Colo da Serra

O que Tinha de Ser

 

 

 

 

 

ONDE ANDA VOCÊ

 

                         Hermano Silva e Vinícius de Moraes

 

Tom: C

 

C      A7/12+    D7/9             G6

E por falar em saudade onde anda você

 

C7+                 Em

Onde andam seus olhos que a gente não vê

 

D#m       Dm

Onde anda esse corpo

 

G6             C7+

Que me deixou louco de tanto prazer

 

A7/12+    D7/9              G6

E por falar em beleza onde anda a canção

 

                  C7+               Em

Que se ouvia na noite dos bares de então

 

        D#m    Dm                    G6

Onde a gente ficava,onde a gente se amava

 

            Gm   C7/9-

Em total solidão

 

        Am6b           Fm7

Hoje eu saio da noite vazia

 

      Em7        A7/12-

Numa boemia sem razão de ser

 

               D7/9       G6

Na rotina dos bares,que apesar dos pesares

 

           E6 E5+ Em

Me trazem você

 

 A7/12+          D7/9               Fm7

E por falar em paixão, em razão de viver

 

               EM7        A7/12-

Você bem que podia me aparecer

 

                D7/9                  G6

Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares

 

           C7+ Fm7 C7+

Onde anda você

 

 

 

 

 

EU SEI QUE VOU TE AMAR

 

                                              Tom Jobim e Vinícius de Moraes

 

Int.: A7+ E5+/7

 

 A7+                                   Bm

Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida eu vou te amar

 

           A7

A cada despedida eu vou te amar

 

        D7+                        G7

Desesperadamente eu sei que vou te amar

 

  A7+      Bm   E7    C#m    F#7/5+

E cada verso meu será pra te dizer

 

       Bm                       E7/5+

Que eu sei que vou te amar por toda a minha vida

 

  A7+                                Bm          E7

Eu sei que vou chorar, a cada ausência tua eu vou chorar

 

               A7

Mas cada volta tua há de apagar

 

                 D7+         A7

O que essa tua ausência me causou

 

   A7+                           C#m         F#7/5+

Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver

 

             Bm           E7                    A6/9

À espera de viver ao lado teu por toda a minha vida

 

 

 

 

 

GENTE HUMILDE

 

                         Garoto, Vinícius de Moraes, Chico Buarque e Nicanor

 

Int.: C Am F G

 

C7+                         D#º            Dm7

Tem certos dias em que eu penso em minha gente

 

          G11              G7        C7+  G7/5+

E sinto assim todo o meu peito se apertar

 

         Em7         D#º         Dm7

Porque parece que acontece de repente

 

         Dm4/7       C#7/5-   C7+   G7/13

Como um desejo de eu viver sem me notar

 

         C7+             D#º         Dm7

Igual a como quando eu passo no subúrbio

 

     G11               G7             Gm7 C7/13

Eu muito bem vindo de trem de algum lugar

 

        F7+            G#7/9       Em7   A7/9-

E aí me dá como uma inveja dessa gente

 

             D7           G7/9-          C7+  G7/13

Que vai em frente sem nem ter com quem contar

 

             C7+          D#º        Dm7

São casas simples com cadeiras na calçada

 

        G11              G7            C7+ G7/5+

E na fachada escrito em cima que é um lar

 

       Em7            D#º        Dm7

Pela varanda flores tristes e baldias

 

 

         Dm4/7         C#7/5-       C7+    G7/13

Como a alegria que não tem onde encostar

 

         C7+       D#º           Dm7

E aí me dá uma tristeza no meu peito

 

            G11              G7        Gm7 C7/13

Feito um despeito de eu não ter como lutar

 

               F7+         G#7/9           Em7  A7/9-

E eu que não creio peço a Deus por minha gente

 

           D7            G7/9-    C7+

É gente humilde, que vontade de chorar

 

 

 

 

INSENSATEZ

 

                     Tom Jobim e Vinícius de Moraes

 

Tom: Dm7

 

Dm7      A/C#          Cm6

A insensatez que você fez

 

                    G/B

Coração mais sem cuidado

 

Gm/B           D#7+     

Fez chorar de dor o seu amor

 

   A5+/7       Dm7

Um amor tão delicado

 

F7/C                      A#7+

Ah! Porque você foi fraco assim

 

Gm7           Dm7

Assim tão desalmado

 

F7/C       E7/B             A4/7

Ah! Meu coração quem nunca amou

 

     A5+/7      Dm7

Não merece ser amado

 

Dm7       A/C#           Cm6

Vai meu coração, ouve a razão

 

            G/B

Usa só sinceridade

 

A#6          D#7+         

Quem semeia vento, diz a razão

 

        A5+/7      Dm7

Colhe sempre tempestade

 

F7/C     

Vai meu coração

 

       A#7+    Gm7       Dm7

Pede perdão, perdão apaixonado

 

F7/C        E7/B      A7/4

Vai porque não pede perdão

 

      A5+/7     Dm7

Não é nunca perdoado

 

 

 

APELO

 

             Baden Powell e Vinícius de Moraes

 

Tom: Em7

 

Em7                   D#m5+/6

Ah, meu amor não vá embora

 

                 Dm6                       Am7  E5+/7

Vê a vida como chora, vê que triste esta canção

 

Am7         B7/9-          Em7

Não, eu te peço não te ausentes

 

      Dm6            C7+            F7+        B4/7 B7

Pois a dor que agora sentes só se esquece no perdão

 

Em7                   D#m5+/6

Ah, minha amada me perdoa

 

                     Dm6      E7          Am7 E5+/7

Pois embora ainda te doa a tristeza que causei

 

Am7      A#°         Em7            C7+           F#m5-/7

Eu te suplico não destruas tantas coisas que são tuas

 

      B7               Em7  B7

Por um mal que eu já paguei

 

Em7                    D#m5+/6

Ah, minha amada se soubesses

 

                        Dm6

Da tristeza que há nas preces

 

                     Am7 E5+/7

Que a chorar te faço eu

 

 

Am7      B7/9-        Em7    Dm6        C7+

Se tu soubesses num momento todo arrependimento

 

     F7+         B4/7 B7

Como tudo entristeceu

 

 Em7                     D#m5+/6

Se tu soubesses como é triste

 

                  Dm6

Em saber que tu partiste

 

                   Am7 E5+/7

Sem sequer dizer adeus

 

Am7   A#°           Em7

Ah, meu amor tu voltarias

 

    C7+      F#m5-/7

E de novo cairias

 

    B7               Em7

A chorar nos braços meus

 

 

 

 

BOM DIA, TRISTEZA

 

                                    Adoniran Barbosa e Vinícius de Moraes

          Cm7

Bom dia tristeza

 

Dm5-/7  G7     Cm7

Que tarde tristeza

 

                  Dm5-/7

Você veio hoje me ver

 

    G7    Dm5-/7  G7       Dm5-/7 G7

Já estava ficando até meio triste

 

        Dm5-/7      G7       Cm7 C7

De estar tanto tempo longe de você

 

            Fm7

Se chegue tristeza

 

Bb7        Eb7

Se sente comigo

 

Ab7          G7     Gm5-/7

Aqui nesta mesa de bar

 

C7           Fm7

Beba do meu copo

 

G7           Cm7

Me dê o seu ombro

 

D7             G7

Que é para eu chorar

 

             Dm5-/7

Chorar de tristeza

 G7         Cm7

Tristeza de amar

 

 

 

CARTA AO TOM / CARTA DO TOM

 

                                                         Toquinho, Vinícius de Moraes e Tom Jobim

 

Int.: A7+ E5+/7

 

A7+               E/G#           F#m7        A7/E          B/D#

Rua Nascimento e Silva, cento e sete, você ensinando prá Elizeth

 

    Dm6                         Em7  Em6

As canções de "Canção do Amor Demais"

 

 B/D#              D7+         C#m7                 F#m7    F#m6

Lembra que tempo feliz, ai que saudade, Ipanema era só felicidade

 

                             F5-/6 E5+/7

Era como se amor doesse em paz

 

 A7+            E/G#      F#m7                A7/E      B/D#

Nossa famosa garota nem sabia a que ponto a cidade turvaria

 

             Dm6          Em7  Em6

Esse Rio de amor que se perdeu

 

D#m5-/7              D7+             A/C#               F#5+/7      B7/F#

Mesmo a tristeza da gente era a mais bela e além disso se via da janela

 

               E4/7       Em6  A7/9

Um cantinho de céu e o Redentor

 

 D#m5-/7         D7+        A/C#               F#5+/7           B7/F#

É meu amigo, só resta uma certeza, é preciso acabar com essa tristeza

 

            E4/7              A7+ E5+/7

É preciso inventar de novo o amor

 

 A7+              E/G#           F#m7           A7/E         B/D#

Rua Nascimento e Silva, cento e sete, eu saio correndo do pivete

 

 

           Dm6           Em6  A7/9

Tentando alcançar o elevador

 

 B/D#              Dm6         C#m7               F#m7        B7/9

Minha janela não passa de um quadrado, a gente só vê Sérgio Dourado

 

              E5+/7     Em6  A7/9

Onde antes se via o Redentor

 

 D#m5-/7         D7+       C#m7              F#5+/7         B7/9

É meu amigo só resta uma certeza, é preciso acabar com a natureza

 

           E5+/7         A7+

É melhor lotear o nosso amor

 

 

 

CHEGA DE SAUDADE

 

                                   Tom Jobim e Vinícius de Moraes

 

Int.: Am7

 

             F#º            Fm6

Vai minha tristeza e diz à ela

 

         Am7

Que sem ela não pode ser

 

         F#º  Em7             F7+   F6

Diz-lhe numa prece que ela regresse

 

               E4/7       E5+/7

Porque eu não posso mais sofrer

 

Am7        F#º         Fm6              Em6

Chega de saudade, a realidade é que sem ela

 

                   Dm7     E7    Am7

Não há paz, não há beleza, é só tristeza

 

                       F#º            Fm6              Am7 B4/7 Bm7 E7/13

E a melancolia que não sai de mim, não sai de mim, não sai

 

A7+/C# C#º  B7/9

Mas se ela voltar, se ela voltar

 

          Bm7   E7          A7+/F#

Que coisa linda, que coisa louca

 

                        Bm7/9

Pois há menos peixinhos a nadar no mar

 

           B7/9                          Dm6 E7

Do que os beijinhos que eu darei na sua boca

 

 

A7+/C#           B7/9        C#7         Am7   G#m7       Gm7

Dentro dos meus braços os abraços hão de ser milhões de abraços

 

  D7+          Dm7/9        C#m7/9

Apertado assim, colado assim, calado assim

 

F#7/13      B7/9         E4/13  E5+/7 C#7/9

Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim     

 

           F#7             B7/9      E4/7          A7+/C#

Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim

 

          C#º          B7/9    E4/7        A7+/C# A6/C#

Não quero mais esse negócio de você viver assim

 

        C#º           B7/9         E4/7      A7+/C# A6/C#

Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim

 

 

 

COMO DIZIA O POETA

 

                                  Toquinho e Vinícius de Moraes

 

Int.: (Am7 E7/9- E7 Am E7/9-)

 

         Am7                        Dm7

Quem já passou por essa vida e não viveu

 

          G7                         C7+ E7

Pode ser mais, mas sabe menos do que eu

 

         Am7    Am/G              D/F# Dm/F

Porque a vida só se dá pra quem se deu

 

         E7                               Am7

Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu

 

A7   Dm7                   Dm/C  Bm5-/7         E7   Am7 A7

Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não

 

Dm7/11      D7              Dm7

Não há mal pior do que a descrença

 

         D7            Gm7        E7          A7

Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão

 

             Dm7          D7          Gm7

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair

 

         C7                     F7+  A7

Pra que somar se a gente pode dividir

 

      Dm7              Dm/C       G/B Gm/B

Eu francamente já não quero nem saber

 

            A7                       Dm7 D7

De quem não vai porque tem medo de sofrer

 

 

Gm7                      Gm/F    Em5-/7         A7   Dm7 D7

Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão

 

Gm7                      Gm/F    Em5-/7         A7   Dm7

Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não

 

 

 

 

ESCRAVO DA ALEGRIA

 

                                       Multinho e Toquinho- (Sucesso em  gravação de Vinicius)

 

Tom : Em

 

Intr.: (Em Em6- Em6 Em6-)

 

Em                     Bm5-/7 E7

Eu que andava nessa escuridão

 

Am                    D7/9

De repente foi me acontecer

 

G      G7+             G7

Me roubou o sono e a solidão

 

 C                B4/7      B7

Me mostrou o que eu temia ver

 

Em       Em7+      Em7  Em6

Sem pedir licença nem perdão

 

 Am                   B4/7  B7

Veio louca pra me enlouquecer

 

Em                    Bm5-/7 E7

Vou dormir querendo despertar

 

Am                   D7/9

Pra depois de novo conviver

 

 G        G7+           G7

Com essa luz que veio me habitar

 

C                    B4/7     B7

Com esse fogo que me faz arder

 

Em      Em7+        Em7     Em6

Me dá medo, vem me encorajar

Am            B7       E7

Fatalmme me fará sofrer

 

Am      D7/9        G7+

Ando escravo da alegria

 

         C7+       F#m5-/7

Hoje em dia, minha gente

 

         B7      Bm5-/7 E7

Isso não é normal

 

Am      D7/9     G7+

Se o amor é fantasia

 

         C7+           F#m5-/7

Eu me encontro ultimamente

 

   B7       Em C7/9 F#m5-/7 F7+ E6/9

Em pleno carnaval

 

 

MARCHA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS

 

                                                                   Carlos Lyra e Vinícius de Moraes

 

Int.: Fm C#5-/6 C7 Fm C#5-/6 C7

 

 Fm           C#5-/6 C7         Fm           C#5-/6

Acabou nosso carnaval, ninguém ouve cantar canções

 

 C7           Am7             Am5-/7

Ninguém passa mais brincando feliz

 

D7       G7                 Gm7  C7          Fm   Gm4/7 C7

E nos corações saudades e cinzas foi o que restou

 

      Fm          C#5-/6 C7    Fm           C#5-/6

Pelas ruas o que se vê é uma gente que nem se vê

 

C7          Am7                  Am5-/7

Que nem se sorri, se beija e se abraça

 

D7       G7                    Gm7       C7        Fm  F7 A#6/9

E sai caminhando, dançando e cantando cantigas de amor

 

                A#m6

E no entanto é preciso cantar

 

F6                Dm7

Mais que nunca é preciso cantar

 

 G7         Dm7       G7      C#5-/6 C7

É preciso cantar e alegrar a cidade

 

 Fm                   C#5-/6 C7     Fm          C#5-/6

A tristeza que a gente tem qualquer dia vai se acabar

 

C7         Am7                Am5-/7

Todos vão sorrir, voltou a esperança

 

 

D7            G7                 Gm7  C7      Fm   F7 A#6/9

É o povo que dança, contente da vida feliz a cantar

 

                       A#m6    F6                     Dm7         G7

Porque são tão tantas coisas azuis, há tão grandes promessas de luz

 

                 Dm7        G7       C#5-/6 D7

Tanto amor para amar que a gente nem sabe

 

         Fm           C#5-/6 C7 Fm             C#5-/6

Quem me dera viver pra ver e brincar outros carnavais

 

 C7     Am7                Am5-/7

Com a beleza dos velhos carnavais

 

  D7             G7

Que marchas tão lindas

 

            Gm7         C7       (Fm Gm7 C7)

E o povo cantando seu canto de paz

 

 

 

 

MINHA NAMORADA

  

                                 Carlos Lyra e Vinícius de Moraes

 

Int.: D7/9-

 

G/B           A#º         F/A   

Meu poeta eu hoje estou contente

 

      G#º        C/G         Em           F#m4/7   F5-/7

Todo mundo de repente ficou lindo, ficou lindo de morrer

 

    Em             F/G          C7+         F6/7

Eu hoje estou me rindo, nem eu mesma sei de que

 

  G7+       Fm6    D#m6       D7/9     G7+ D7/9

Porque eu recebi uma cartinhazinha de você

 

G7+               Am7     Bm9

Se você quer ser minha namorada

 

        E6/7 E5+/7 Am7     E5+/7     A6/7

Ah, que linda namorada você poderia ser

 

A5+/7     Am7    D7/9   G7+

Se quiser ser somente minha

 

 Am7               Bm7          A#º        F/A

Exatamente essa coisinha, essa coisa toda minha

 

      E6/7       E5+/7 F#m4/7 F5-/7

Que ninguém mais pode ser

 

     Em          D#5+        G/D

Você tem que me fazer um juramento

 

       F/G        C/E            D#7+      D4/7 D7

De só ter um pensamento, ser só minha até morrer

 

 

    C#m7         C7+           G7+       Dm7    G7   C7+

E também de não perder esse jeitinho de falar devagarinho

 

         D7         G7+ Dm7 G7

Essas histórias de você

 

       C7+       D/C           B6/7 B5+/7

E de repente me fazer muito carinho

 

     Bm7  E6/7     A7          G#7+          D4/7  D7

E chorar bem de mansinho sem ninguém saber porquê

 

 G7+              Am7     Bm7   

E se mais do que minha namorada

 

      E6/7    E5+/7  Am7          E5+/7      A6/7 A5+/7 Am7

Você quer ser minha amada, minha amada, mas amada pra valer

 

 D7/9-  G7+        Am7      Bm7

Aquela amada pelo amor predestinada

 

       A#º          F/A A#º      E5+/7         F#m5-/7 F5-/7

Sem a qual a vida é nada, sem a qual se quer morrer

 

     Em           D#5+           G/D

Você tem que vir comigo em meu caminho

 

   G/F            C/E         D#7+      D4/7 D7

E talvez o meu caminho seja triste pra você

 

         C#m7         C7+              G7+

Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos

 

          Dm7 G7       C7+       D7         G7+  Dm7 G7

Os seus braços o meu ninho no silêncio de depois

 

       C7+             D/C        B6/7  B5+/7

E você tem que ser a estrela derradeira

 

 

        Bm7          E5+/7 A7

Minha amiga e companheira

 

      G#7+          G7+

No infinito de nós dois

 

 

 

NO COLO DA SERRA

 

                           Toquinho e Vinícius de Moraes

 

Int.: Am Am/G F#º F7+

 

Am            Am/G               B7/F#

Uma casinha qualquer no colo da serra

 

            F6/11+ E7       Am   E7/9-

Um palmo de terra pra se plantar

 

Am            Am/G              B7/F#

O colo de uma mulher, uma companheira

 

         F6/11+  E4/7   E7

Uma brasileira pra se amar

 

A7+               F#m7 D7+

Se eu tiver que lutar

 

                 E4/7 E7

Vou é lutar por ela

 

A7+               F#m7 D7+

Se eu tiver que morrer

 

                E4/7 E7

Vou é morrer por ela

 

 

 Am       Dm      Am    E7

E se eu tiver que ser feliz

 

Am       Dm     Am     E7     Am   Am Am/G F#º F7+

Você vai ter que ser feliz também

 

 Am               Am/G                B7/F#

Homens vieram na noite, e gritos de guerra

 

          F6/11+ E7        Am  E7/9-

Feriram a terra, o céu e o mar

 

Am                Am/G               B7/F#

Homens ficaram no chão mirando as estrelas

 

              F6/11+          E4/7 E7

Mas sem poder vê-las no céu brilhar

 

A7+           F#m7    D7+               E4/7 E7

E o que mais prometer aos herdeiros da vida?

 

A7+           F#m  D7+           E4/7 E7

E que versos fazer à mulher concebida?

 

Am         Dm     Am     E7

E quando alguém morrer assim

 

Am          Dm    Am  E7   A7+

Vai ser a morte para mim também

 

               F#m7    D7+      E4/7 E7

E que versos fazer à mulher concebida?

 

A7+               F#m7 D7+

Se eu tiver que morrer

 

                 E4/7 E7 Am Am/G F#º F7+

Vou morrer pela vida

 

 

 

 

O QUE TINHA DE SER

 

                                     Tom Jobim e Vinícius de Moraes

 

Int.: Em

 

  Em

Porque foste na vida

 

             E7

A última esperança

 

                      Am

Encontrar-te me fez criança

 

               B7

Porque já eras meu

 

               Em

Sem eu saber sequer

 

                 C

Porque és o meu homem

 

            B7

E eu tua mulher

 

                 Em

Porque tu me chegaste

 

Sem me dizer que vinhas

 

                    E7         Am

E tuas mãos foram minhas com calma

 

                     C

Porque foste em minh'alma

 

            Am

Como um amanhecer

                     B7      E (Em)

Porque foste o que tinha de ser